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Joana Fleck

Minha história

Joana Fleck grávida, caminhando na praia

Quem é Joana Fleck e como chegou até aqui?

Joana Fleck nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, na manhã do dia mais frio do ano de 1988 — um detalhe que ela mesma gosta de contar, como se o corpo já viesse avisando que carregaria um jeito intenso de sentir o mundo. Aos oito anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cresceu e vive até hoje.

Desde criança, Joana gostava de experiências e de entender como as coisas funcionavam. Tinha curiosidade por tecnologia, montava projetos de robótica, criava softwares e chegou a montar a própria CPU. Por um tempo, pensou em seguir Ciência da Computação.

Foi no ensino médio, em um projeto da escola, que conheceu laboratórios da UFRJ de bioquímica, análise de DNA e neuroquímica. A experiência despertou seu interesse pela medicina. Depois, pediu para acompanhar a mãe de uma amiga e foi assim que decidiu seguir esse caminho.

Na medicina, sempre soube que queria a área cirúrgica. Nunca se identificou com a ideia de trabalhar apenas em consultório ou de clinicar. Escolheu a cirurgia vascular: seis anos de faculdade, dois anos de cirurgia geral, dois anos de cirurgia vascular, especialização na Alemanha e mais de uma década construindo uma carreira sólida na área.

Por muitos anos, sua linguagem foi a precisão: trabalhar com as mãos dentro do corpo de alguém, tomar decisões em segundos, compreender sistemas complexos e agir com controle.

Foi a maternidade que virou essa lógica do avesso.

Quando Helena nasceu, em dezembro de 2022, Joana descobriu que toda a competência técnica que havia construído não a preparara para sustentar as próprias noites sem dormir, o próprio corpo em reconstrução e o estado de alerta constante. Ela, que sabia operar o corpo dos outros, começou a perceber que ainda não sabia o que fazer com o peso invisível que a maternidade colocava sobre o seu próprio corpo e sua própria vida.

Foi ali que começou uma transformação profunda: estudar a si mesma, observar o próprio corpo, compreender suas emoções e reações e buscar respostas para perguntas que a medicina tradicional não havia ensinado a fazer.

Isabela chegou em outubro de 2025, e com ela veio a confirmação de algo que Joana já vinha entendendo na própria pele: muitas das dificuldades vividas pelas mães não são falhas de caráter, falta de gratidão ou incapacidade.

Existe um corpo, um sistema nervoso, uma história, relações, identidade e uma mulher inteira atravessando tudo isso.

Ao longo dos anos, Joana ouviu repetidamente de muitas mulheres, próximas ou não, o quanto ela lidava bem com os desafios de ser mãe. Aos poucos, percebeu que aquilo que tinha aprendido na própria travessia poderia se transformar em trabalho.

Hoje, Joana une sua experiência como médica, sua trajetória como mulher e mãe e seus estudos sobre questões emocionais e relacionais para ajudar outras mulheres a compreenderem o que vivem, construírem recursos internos e atravessarem a maternidade sem precisar se perder de si mesmas.

Foi dessa junção — da precisão da cirurgiã, da experiência da mãe e da curiosidade de quem sempre quis entender como as coisas funcionavam — que nasceu a TRAVESSIA: um ecossistema que Joana está construindo para transformar a maneira como vivemos a maternidade, com mais consciência, construção emocional, pertencimento e mulheres caminhando juntas.

Depois de mais de uma década cuidando do corpo humano por dentro, Joana virou essa mesma atenção para dentro de si — e transformou o que aprendeu na própria travessia em um caminho para outras mulheres não precisarem descobrir tudo sozinhas.